Exercício x período menstrual

Exercício x período menstrual

Exercício x período menstrual: como treinar e competir com esse desconforto

Médico da seleção brasileira feminina explica como driblar os incômodos do período menstrual para manter bom rendimento durante os treinos
Por Nemi Sabeh Jr — Rio de Janeiro

21/02/2019 08h01 Atualizado há um mês

Todo mês, as mulheres encaram uma competição com o próprio corpo. A adversária, no caso, é a menstruação. Segundo pesquisas, cerca de 76% das brasileiras sofrem de cólica menstrual, e boa parte delas aponta outros incômodos para o período, como enxaqueca, dores nas costas, seios, pernas, além de náuseas, o que prejudica, muitas vezes, no rendimento das atividades diárias. Os desconfortos também refletem em alterações de humor e podem interferir, principalmente, no treino, já que os sintomas da TPM (tensão pré menstrual) resultam na dificuldade de realizar exercícios, como de força e explosão, afetando o desempenho.

E, não é bom perder o ritmo por conta disso. Então, se preparar para essa situação a cada mês, é fundamental. O ideal é ter o acompanhamento de um ginecologista para entender os motivos caso a caso. Para não afetar o rendimento durante a atividade física, vale minimizar os desconfortos e trazer alívio dos sintomas para que a atleta possa desempenhar o ato esportivo da melhor forma.

Segundo o Dr. Nemi Sabeh Jr., expert em medicina esportiva, ortopedia e médico da Seleção Brasileira de Futebol Feminino há 10 anos, analgésicos e anti-inflamatórios para quem apresenta dor mais intensa são recomendados para amenizar a cólica. E também existem opções de medicamentos para a regularização do fluxo para controlar o excesso de sangramento. No caso de atletas da Seleção Brasileira de Futebol Feminino, muitas fazem uso ininterrupto de anticoncepcional para um resultado eficaz contra a TPM e por não desejar menstruar nos treinos e jogos, preferindo dar uma pausa nos períodos sem campeonatos.

Outro fator desencadeado pela TPM é a ansiedade alimentar. Por isso, a importância de adotar uma abordagem multidisciplinar. Depois de uma avaliação nutricional e para compensar os dias mais críticos, o chocolate 60% amargo é bem-vindo, mas com moderação. O chocolate tem grande quantidade de açúcar e pode levar a um aumento do pico de insulina e até hipoglicemia. Portanto, os doces devem ficar para a sobremesa e sem exageros. O mais interessante é potencializar o treino sempre com uma alimentação que sustente uma fonte energética rápida, como carboidratos.

As concentrações dos hormônios estrogênio e progesterona estão mais baixas e, por isso, algumas mulheres sentem muita cólica e um aumento no cansaço durante o ciclo. O indicado é sentir as transformações do corpo e adequar o treino, sem precisar ficar parado. Até porque a atividade física libera endorfina, o que traz a sensação de bem-estar e ainda colabora para aliviar as dores e a irritação.

E também tem o lado feliz desse momento. De acordo com alguns estudos, na segunda metade do ciclo a produção de progesterona é maior, influenciando no metabolismo de gordura, deixando a queima mais eficaz. Resumindo: vale sempre se exercitar. Cada mulher responde de uma maneira diferente ao desempenho da atividade física e intensidade, então durante o período menstrual, não tem problema em variar um treino de alta performance com exercícios moderados a leves, respeitando o que o corpo sinaliza.

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